terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Na plenitude da felicidade, cada dia é uma vida inteira.

Quero acordar do seu lado num domingo de manhã e saber que não temos hora para sair da cama. E, depois, ir tomar café na padaria e ler o jornal com você. Quero ouvir você me contar sobre o trabalho e falar detalhadamente de pessoas que eu não conheço, e nem vou conhecer, como se fossem meus velhos amigos. Quero ver você me olhar entre um gole de café e outro, sem nada para dizer, e apenas sorrir antes de voltar a folhar o caderno de cultura. Quero a sua mão no meu rosto, dentro do carro, no caminho do nosso apartamento. Quero te ver  deitado no sofá enquanto cuido das plantas, escolher o playlist no ipod e ficar, daquele seu jeito metódico e perfeccionista, me olhando em cima da cama. E que, sem mais nem menos, você desista de apenas olhar, e me jogue sobre a bagunça, me beije e me abrace como nunca fez antes com outra pessoa. E que pergunte se eu quero ver um DVD mais tarde, ou se prefiro um cineminha com você. Quero tomar uma taça de vinho no fim do dia e deitar do seu lado na rede, esperando o sol se por, esperando a lua e ouvindo você me contar histórias do passado. Quero escutar você falar do futuro e sonhar com minha imagem nele, mesmo sabendo que eu provavelmente não estarei lá. Quero que você ignore a improbabilidade da nossa jornada e fale da casa que teremos no campo. Quero que você a descreva em detalhes, que fale do jardim que construiremos, e dos cachorros que compraremos. E que faça tudo isso enquanto passa a mão em meu corpo e me beija o rosto. Quero que você nunca perca de vista a importância da sua simples existência pra mim, e que me prometa ter entendido que a felicidade não é um destino, mas a viagem. E que, por isso, teremos sido felizes pelos vários domingos na cama e pelos sonhos que compartilhamos enquanto olhávamos a lua. Que você acredite que não me deve nada simplesmente porque os amores mais puros não entendem dívida, nem mágoa, nem arrependimento. Então, que não se arrependa. Da gente. Do que fomos. De tudo o que vivemos. Que você me guarde na memória, mais do que nas fotos. Que termine com a sensação de ter me degustado por completo, mas como quem sai da mesa antes da sobremesa: com a impressão que poderia ter se fartado um pouco mais. E que, até o último dia da sua vida, você espalhe delicadamente a nossa história, para poucos ouvintes, como se ela tivesse sido a mais bela história de amor da sua vida. E que uma parte de você acredite que ela foi, de fato, a mais bela história de amor da sua vida. Que você nunca mais deixe de pensar em mim quando for viajar, ou ficar sozinho em casa, escutando Dream' Bout Me,  ou ler algum romance de tirar o fôlego. E, por fim, que você continue na sala. Para sempre. Mesmo quando eu não estiver mais olhando.

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